mai
18
2012

Então querida(o), você começou um blog de moda. *pausa dramática*.

Não que a ideia seja de todo má (e não é), mas nestes tempos em que termos como  jabás, avenismos e orkutizações são parte do vocabulário blogístico, e em tempos nos quais a Blogueira Shame reina (beijo titia!) – odiada por muitas, temida por muitas mais -, algumas recomendações são importantes para quem, assim como tu, te propões a compartilhar a tua opinião sobre moda na internet.

Antes de mais nada, recomendo a leitura desse texto da Lilian Pacce, texto esse que já é uma referência obrigatória sobre assunto. Muitas das coisas que eu iria  te falar aqui já estão nele. O que me poupa tempo. A nós dois, aliás.

Sou de uma época que hoje  parece mais longíqua que a Idade Média: Um tempo no qual quem tinha blog, seja lá sobre que tema, não era conhecido, não ganhava brindes exclusivos nem convites para eventos badalados. Faz tempo e pode ser meio inacreditável para ti, eu sei. Se eu próprio estivesse começando agora e não tivesse vivido tudo isso, eu nem acreditaria se tivessem me contado. Sem querer ser saudosista (mas já sendo) tenho saudades dessa época. Tínhamos menos glamour, é verdade, mas éramos mais criativos. E sobretudo mais livres.

Falo isso principalmente devido a um vírus que se alastrou na blogosfera de moda brasileira, neutralizando a criatividade e o diferente e tornando tudo igual: Pessoas, estilos e opiniões. Faça um teste: Veja se você encontra  alguma distinção entre uma blogueira de moda que mora em Recife, uma de São Paulo e outra de Porto Alegre. Não há. Todas se vestem igual, frequentam os mesmos lugares (que só mudam de nome), falam e se comportam igual.

Quando vou a algum evento de moda estão todas elas lá, parecendo filhas da mesma mãe e do mesmo pai. Com suas  it roupas e it bags, antenadas nas trends mais quentes da temporada, bebericando sidra e comendo cupcakes como se não houvesse amanhã. Não que  tenha problema em querer ser igual a todo mundo, mas realmente acho triste que muitas meninas (e meninos também) abdiquem do poder de criar para si uma imagem e um estilo único, justamente numa época como a nossa, (talvez a única na história da moda) na qual a liberdade para escolher  o seu estilo é  dada as pessoas, e não a um estilista ou a uma marca.

Ou mais triste ainda: que para passar por antenados, vivam de roubar o lifestyle alheio, vivendo num mundo de fantasia com uma vida que está longe de representar quem eles são. Triste, muito triste, pois como bem disse a Danuza Leão, fazer cara de rica cansa. E envelhece.

Me preocupa também porque toda essa pasteurização acaba se refletindo nos blogs e na forma como se fala sobre moda na internet. Já reparou como os mesmos 5 ou 6 blogs estão listados em milhões de outros como “fontes de inspiração” ou “leitura obrigatória”? Não que eles  não representem de fato uma parcela da população brasileira, mas para mim é difícil de acreditar que num país como o nosso, onde existem, entre as regiões, tantas diferenças sociais e culturais, dentre muitas outras, que só meia dúzia de blogs gerem tamanha identificação com meninas que vivem muitas vezes em realidades tão diferentes umas das outras.

O que me parece mesmo é que elas não se identificam como universo retratado nesses blogs, mas sim que desejam, muitas vezes a todo custo, se identificar. E entre essas duas coisas há uma diferença enorme.

Particularmente morro de vergonha alheia, depois de encontrar com as minhas colegas (e quando falo colegas não quero dizer só pessoas próximas, mas  todas que compartilham comigo a mesma função na web, independente de onde estejam no país) em um desfile ou em  eventos de moda de moda em geral, quando vou ler o post de “cobertura” sobre o evento ou desfile e vejo que no final das contas, tudo o que a criatura tem para dizer é que “fulana tava um bapho com aquele look” ou que “usaria tudo” e “tinha um vestido/colar/sapato *insira alguma coisa aqui nesse espaço* deuso na passarela”. Morro de preguiça de textos assim, ocos, banais, que não acrescentam nada a coisa nenhuma. E o que dizer então  de expressões como “o blog amou”, que de tão batidas já perderam o sentido?

E basta uma visita  a maioria dos blogs de moda do nosso país, sejam eles famosos ou anônimos, relativamente antigos ou recentes para ver que a maioria dos posts são exatamente assim. Não que falar sobre assuntos que alguns consideram fúteis seja ruim, não é. Não que fazer o tal do “look do dia” seja péssimo. Também não é, muito pelo contrário. Aliás, sobre esse assunto, te recomendo a leitura desse ótimo texto do Pimenta no teu … é refresco, que expõe a minha exata opinião sobre esse assunto. Poupemos tempo.

Todo e qualquer assunto, por mais banal que seja, pode gerar uma boa pauta para o teu blog, e com moda não é diferente. O que vai diferenciar você e fazer o teu blog conhecido, querido até, é a forma como você vai tratar esse assunto: Se do seu jeito, ou da mesma forma em que milhões de pessoas estão tratando. A vida é feita de escolhas, querida(o). Algumas acertadas, outras lamentáveis. Deixar a tua marca é indispensável, já que se não fizeres isso, o teu blog blog perde a razão de existir, já que milhões de outros estão aí falando sobre as mesmas coisas. Ou  parafraseando Chanel, para ser insubstituível, além de ser bom, é preciso ser diferente. #Reflita

E isso sem falar nos erros de português, que também se proliferam a olhos vistos pela nossa blogosfera fashion. Ah, os erros de português… São vírgulas, acentos e crases que sumiram, pronomes, verbos e substantivos que vivem brigando e nunca se entendem e por aí vai. Erros que  com toda a certeza desse mundo, digo que fazem Machado de Assis, Clarice Lispector e tantos outros responsáveis por celebrar e beleza do nosso idioma chorarem  de desespero, onde quer que estejam. E pior de tudo: Erros cometidos por pessoas que tem um diploma de curso superior (alguns até de pós graduação) em casa. E quando falo em erro não me refiro a uma bobagem, mas a coisas que simplesmente impedem você de entender o que a pessoa está falando.

Já aconteceu comigo, e certamente contigo também de algumas vezes  você ter que ler o mesmo parágrafo/frase várias vezes para poder começar a compreender o que a pessoa quis dizer. E aí fica a questão: Como você quer que as pessoas levem em conta a sua opinião, se elas nem conseguem entendê-la? No entanto, com isso eu não quero dizer que é preciso ter o mesmo nível de texto de Os lusíadas, do Camões (livro muito bom, aliás, que eu te recomendo a leitura). Basta conhecer razoavelmente o nosso idioma – afinal, bem ou mal todos nós somos alfabetizados – e ter respeito por ele.

Isso sem falar na pretensão que também assola muitas blogueiras(os), que faz com que muitos se comportem como árbitros de estilos. Tenho certeza absoluta que toda vez que uma fashion blogger faz um post para “ensinar a maneira certa de usar tal peça/estilo” ou para falar sobre “quem pode ou quem não pode usar tal peça/tendência” divas da moda como Diana Vreeland, Grace Kelly ou Coco Chanel, dentre outras, se reviram nas suas respectivas tumbas de cristal. Não vá por esse caminho arbitrário, tolo e sobretudo inútil.
Afinal, como bem disse a Regina Guerreiro, não existe certo e errado, nem na moda nem na vida. E o mundo também não é uma novela mexicana, onde o bem luta contra o mal, a realidade é bem mais complexa que isso. Não exitem mocinhos ou vilões, o que existem são pessoas com gostos e opiniões que são diferentes, conflitantes as vezes. Assim como também existem pessoas que tem maturidade para saber (e aceitar) isso.

Falo isso porque nesses quase cinco anos de blog, já vi muita coisa bizarra acontecer. Coisas que só acredito porque vi com os meus próprios olhos, olhinhos esses que a terra NUNCA há de comer, já que depois de morto vou ser mumificado e exposto a visitação pública em um esquife de cristal. #alouca.

Coisas bizarras como blogueira que cultua um padrão de beleza doentio e que vende isso como sinônimo de sucesso para quem lê o seu blog. Padrão esse cujo um dos símbolos é uma mulher que ela mesma diz que não está satisfeita com a própria aparência. Pessoas que se aproximam de outras por interesse, para ganhar um convite para um evento ou pegar carona no sucesso dos outros. Gente que vai embora de evento de moda magoada porque “ninguém tirou foto do meu look” (pois é, isso existe). Pessoas das quais nem devemos perder tempo falando aqui, e que no mais, já tratei aqui nesse texto, sobre o lado B desse mundinho.

E aqui, te peço um espaço pra contar uma história que serve muito bem para ilustrar muito do que eu quero dizer aqui. Há um tempo atrás, conheci numa faculdade de moda aqui da minha cidade  uma pessoa que  durante algum tempo, pensei que fosse  amiga. Uma pessoa  que no começo achei bem intencionada e que meio deslumbrada com essa coisa de blog de moda, me chamou para colaborar no  site que ela queria criar.

Ter um site de moda  de sucesso era o sonho dela (pois é, em se tratando de trabalho, alguns tem sonhos, outros tem metas bem definidas), um site esse que, como ela me disse em uma ocasião, “iria ser muito melhor e beeeem diferente de muitos blogzinhos por aí” (sic), sem refletir sobre a arrogância do que acabava de dizer.

O tempo passou e depois de muitas idas e vindas, me afastei da criatura (por motivos que não vem ao caso falar aqui) e até onde eu sei, o sonho dela ainda não se concretizou, muito pelo contrário. O referido site, até onde eu sei (não precisa dizer nomes, afinal o bom mesmo é contar o milagre e não o nome do santo), é motivo de piada para muita gente, não porque as pessoas sejam malvadas (algumas de fato são), mas por um motivo muito mais simples: O site é ruim mesmo.

As fotos são mal tiradas – pois o fato de ter uma câmera na mão, por melhor e mais cara que ela seja, não te torna necessariamente um fotógrafo, muito menos um bom fotógrafo -, os looks mostrados na seção de “street style” são em sua maioria, bregas, e os textos são mal escritos. E quando uma ou duas pessoas pensam assim, OK, são opiniões diferentes, e ninguém é obrigado a gostar das mesmas coisas. Mas quando são dezenas de pessoas, centenas até, que pensam a mesma coisa, tem algo errado aí.

Um site que apesar de ser coordenado por uma pessoa que tem um diploma de um curso de moda, tem post sobre como as calças pantalona   ajudam a “tirar manchas da pele”, ou que em um texto sobre um desfile de acessórios, fala “dos maiôs pretos, lindos e minimalistas que todas as modelos usaram na passarela”, sem perceber que as peças foram usadas para que justamente todos prestassem atenção só nos acessórios.Você percebe o que eu quero dizer? Pessoas que se prestam a falar de moda e discutir o assunto, sem  no entanto terem o conhecimento mais básico para isso.

Falo isso principalmente para te dizer que moda não se aprende em faculdade ou em cursinhos de curta duração. Em escolas você adquire conhecimentos relacionados a ela eque vão te ajudar no mercado – como desenho, modelagem, técnicas de marketing  e etc -, mas coisas como bom gosto, criatividade e elegância, eu acredito que você ou já nasce com  e vai aprimorando ao longo da vida, ou então só em outra encarnação, meu bem. Ces’t la vie.

Reflito sobre esses pontos e essa é a minha opinião – que você pode concordar ou não - porque  penso que esse boom pelo qual o mercado de moda vem passando nos últimos anos aqui no Brasil tem consequências boas e ruins. A boa é que com mais gente interessada, o setor tende a crescer e se profissionalizar. A má é que nem todas essas pessoas que estão dispostas a trabalhar com moda estejam em sintonia com aquilo que o mercado precise de verdade.

Digo isso porque com a experiência que tenho frequentando alguns cursos de moda, as pessoas que são novas na área e que querem entrar nela ou não estão sintonizadas de verdade com o mercado ou desconhecem as suas necessidades. Falta (muito) conhecimento sobre vários pontos desse universo e sobra (pouca) vontade de abraçar o lado cansativo e exigente de se trabalhar com moda, que é bem diferente do mundo de glamour que muitos imaginam.
Muitos alunos de cursos de moda com os quais eu convivi tem a seguinte mentalidade: O professor coloca no quadro a lição “Como ter uma carreira de sucesso na moda“, eu copio tudo no meu caderno, com uma letra bem bonita, decoro tudo e quando terminar o meu curso, a Chanel ou a Dior vão me levar para Paris e me pagar milhões, e a minha vida vai ser um luxo  sem fim. Situação essa que eu nem preciso te dizer, está bem longe da realidade. Pois se todos virarem astros e estrelas, quem vai aplaudir todo mundo? E será mesmo que tem tanto lugar ao sol  para esse povo todo? I don’t think so…

Infelizmente, essa mentalidade contagiou muitos blogueiros(as) de moda, que em vez de de propor algo novo, preferem reproduzir o que já foi feito infinitamente e que as vezes nem é tão bom assim. Pessoas que tem um blog não para expor as suas idéias e compartilhar conhecimento, mas só para serem conhecidas e ditarem modismos.

Ou então para colocarem as próprias vidas em uma vitrine, reforçando estereótipos e valorizando coisas que no fundo não deveriam ter valor algum. Não é porque você tem budget suficiente para comprar um vestido ou uma bolsa de R$ 10 mil que isso te dá o direito de falar sobre moda, quando você não tem o conhecimento suficiente para isso.

Lembro de uma entrevista que eu fiz com o Arlindo Grund numa das edições passadas do SPFW em que ele levantou um aspecto positivo sobre essa explosão dos blogs de moda hoje no Brasil: Quanto mais gente falando de moda e discutindo sobre esse assunto, mais os profissionais do setor – estilistas, publicitários, produtores e jornalistas - são obrigados a propor coisas novas e relevantes. Concordo com ele, mas a outra face da moeda é a banalização de “falar sobre moda”, que hoje  está mais evidente do que nunca.

O que muitos blogueiros(as) de moda não percebem – e que já falei melhor aqui nessa entrevista que dei certa vez - é que hoje todo blogueiro hoje concorre com um jornalista profissional  na divulgação de notícias e difusão do conhecimento. O que muitos não notam (ou não querem notar) é o poder e a responsabilidade que isso traz. Já percebeu como muitas preferem fazer post mostrando as zilhões de coisas que compraram nas viagens para Europa ou EUA a preços bem abaixo dos praticados no mercado brasileiro, em vez de se engajar e cobrar do governo uma política alfandegária mais justa? Mas como os brasileiros em geral optam pelo caminho mais curto e fácil, com os blogs de moda a coisa não seria diferente.

Você que está começando agora  não tem nenhuma desilusão, já eu tenho muitas quando o assunto é blog de moda. Nesses poucos anos acompanhando a blogosfera fashion tupiniquim, já tive blogs dos quais eu era fã, que lia todo dia e que simplesmente hoje eu não acesso mais. E um dos motivos para isso é que eu, – assim como minha gente pelos comentários que eu vejo em fóruns de discussão e redes sociais – não consegue mais diferenciar jabá e publicidade, de conteúdo livre. Isso porque em muitos casos, a própria pessoa  que escreve não faz questão de marcar essa (importante) diferença.

E aqui chego em um ponto primordial da nossa conversa: Quando o dinheiro entra na jogada. Afinal, seria  ótimo se você, além de adquirir um público que goste do seu blog, também ganhe dinheiro com ele não é? Não vejo nenhum problema nisso, muito pelo contrário. Quanto  mais onças e peixes entrarem na tua conta do banco graças ao blog, melhor. Pois o show tem que continuar e alguém tem que pagar as faturas dos cartões de crédito. Mas a pergunta que faço é: Vale tudo mesmo nessa hora?

Isso porque os blogueiros de moda estão começando a se defrontar agora com um dilema que já é antigo para a maioria dos jornalistas: Há mesmo informação  livre e imparcial quando existem tantas pressões, de vários tipos, influenciando o que é publicado? Como muitos, ganho dinheiro com o meu blog, veiculo banner na página e publico publipost, mas faço questão de deixar isso bem claro aos leitores.
Ceder um espaço no seu blog para ganhar dinheiro é uma coisa, já vender boa opinião e trocar a sua credibilidade, e mais importante ainda, a sua integridade por qualquer trocado é outra bem diferente. Assim como também são coisas bem diferentes compartilhar uma dica sincera e fazer os leitores de otários. Nem perca tempo tentando fazer isso. Tem gente que está aprendendo a não ser tão idiota, e acredite, muitas pessoas estão ficando boas nisso.
E tem também os haters. Ah, os haters… Essas criaturas pretensamente anônimas que vem mostrar que nem tudo é glamour no universo dos blogs de moda. Para mim, antes de cair no lugar comum avenista de dizer que tudo é “inveja” ou ” recalque”  tu deves te esforçar ao máximo para respeitar os pontos de vista que são diferentes do teu, e as críticas que inevitavelmente vão surgir. Isso quando a pessoa usa argumentos em vez de ofensas, ideias no lugar de palavrões. Porque gente covarde e mal caráter a gente trata desse jeito aqui e depois só ignora. Acredite: Não tem vingança melhor contra uma pessoa medíocre do que conquistar para si o reconhecimento que ela nunca terá.

Também te prepares para caso o sucesso agracie o teu blog, para que você saiba lidar com as consequências que toda essa situação vai trazer de bom de ruim. Nada de afetação ou estrelismo, afinal muita gente vai estar atenta sobre cada deslize teu para mandar para a Blogueira Shame - ó medo eterno, o de ser gongado por ela. Em todo o caso, tem uma ótima oração aqui para recorrer nos momentos de desespero.

E para fianlizar essa já tão longa carta, compartilho contigo o conselho que grande amiga me deu uma vez: Defina um objetivo, e procure atingi-lo, focando no seu melhor, sempre  seguindo em frente, sem nem parar para olhar para os lados. Muitas dificuldades vão surgir, mas quando se faz o que se gosta, sempre conseguimos superar os obstáculos.
E mais importante disso tudo: Procure refletir no teu blog exatamente quem tu és, nem mais nem menos. Porque de pilantragem, “cópia podrinha” e pessoas/coisas “fake” e “inspired”, o mercado de moda já está cheio. Aqui e em em qualquer outro lugar. Encerro essa carta da forma mais clichê possível, com um beijo. (um meu e outro do kaiser aí abaixo)

mai
17
2012

Como maio é o mês das noivas, nada melhor do que um post dedicado a elas não é? E se o vestido é um componente indispensável na hora do casório, o buquê é outro detalhe que não pode passar despercebido, pois ele é o principal acessório da noiva e cobiçado por muitas convidadas. A tradição do uso dos buquês  se originou na Roma antiga, quando as mulheres compareciam a cerimônia levando pequenos arranjos feitos com ervas aromáticas (além de outras coisas como alho e  grãos), pois assim elas acreditavam afastar os maus espíritos e atrair boas energias.

Com o avanço do catolicismo na Europa, essas ervas foram substituídas por flores – que são símbolos de fertilidade – pois a Igreja não via com bons olhos o antigo costume pagão. Já o costume da noiva jogar o buquê para as convidadas depois da cerimônia se originou na Idade Média, e veio substituir uma prática ainda mais antiga: Antes, as mulheres solteiras que compareciam ao casórios cortavam pequenos pedaços do vestido da noiva, pois acreditavam que assim logo também arranjariam um marido. Com o passar do tempo o costume de se usar buquê se perpetuou e hoje está presente nas cerimônias de casamento de várias religiões.

E se no passado a escolha pelas flores e o próprio buquê eram mais simples, hoje as mulheres tem uma infinidade de opções a sua escolha, principalmente quando a noiva quer que o buquê reflita a sua personalidade e esteja coerente com as demais escolhas feita por ela para a festa. Nesse caso, cores, formas e combinações querem dizer muito, pois cada flor possui uma um significado próprio, e a noiva tem que estar atenta a isso.

O primeiro passo é encontrar uma florista de confiança e passar para ela tudo o que você espera do buquê, e participar junto com ela de todo o processo de composição da peça. Cada época do ano, assim como cada região tem flores específicas, que podem ser usadas para compor o arranjo. Se o casamento for de dia, o ideal é que  o buquê tenha um aspecto mais natural,e esse efeito pode ser obtido usando componentes como flores do campo ou lírios. O mesmo deve ser observado se a cerimônia for menor ou tiver um clima mais informal.

Já se a cerimônia for noturna e mais formal, a noiva pode abusar de arranjos mais sofisticados e chamativos, feitos com flores nobres como tulipas e orquídeas, dentre outras. Muitas noivas pensam que o buquê tem de seguir a mesma linha decoração da igreja (com as mesmas cores e flores), mas isso não é obrigatório. Como um acessório usado pela noiva, ele tem sim é de combinar com as escolhas feitas pela noiva para o vestido. Portanto, seja o modelo de inspiração vintage, romântica ou mais moderna, o buquê tem de combinar com o estilo escolhido.

O tamanho e a forma do arranjo também deve ser levado em conta. Noivas baixinhas devem evitar os modelos tipo cascata, pois como eles são mais longos, além de chamar atenção demais, eles podem esconder parte do vestido. Já as noivas mais cheinhas devem evitar  os buquês muito cheios e redondos.

Já as noivas fashionistas podem  usar e abusar da criatividade na hora de montar o buquê. Um boa dica é pedir a opinião de quem fez o sue vestido, pois ninguém melhor do que o próprio estilista que criou a peça para ajudar na escolha de um arranjo que combine com ela!

Cores mais inusitadas como roxo, amarelo, azul e verde, assim como flores mais exóticas – como girassol ou orquídea – também podem compor um buquê único e estiloso na medida certa.

mai
17
2012

O universo do estilo foi pego de surpresa na semana passada pela notícia da morte desse que foi talvez o mais famoso hair stylist do mundo: O inglês Vidal Sassoon. Ele ficou famoso pelos cortes e pelo estilo capilar único que ele criou nos anos 1960 – década que como eu mostrei aqui para vocês, ressurge como uma das referências nesta temporada. Nascido em Londres em 1928, ele começou a trabalhar como cabeleireiro aos 14 anos. Quando morreu, tinha ao todo 32 salões com a sua assinatura ao redor do mundo, além de 14 escolas Sassoon Academy, responsáveis por passar adiante as técnicas do mestre.

Ele abriu o seu primeiro salão em 1954, bem no coração da cena fashion londrina, a elegante Bond Street. Na década seguinte, seu nome seria colocado em destaque nas manchetes do mundo todo devido a verdadeira revolução capilar proposta por ele. Coerente com o zeitgeist do seu tempo, ele passou a realizar no seu salão cortes assimétricos e com linhas geométricas (inspirados pela estética da escola de design alemã Bauhaus), que eram os mais perfeitos complementos para os looks futuristas de contemporâneos seus, como Paco Rabbane e André Courrèges.

Indo de encontro com o padrão em voga quando o assunto era penteados femininos – basta vocês assistirem a um filme que se passa nos anos 50 ou folhear uma revista dessa época para perceber que além de lindos, esses looks não eram nada fáceis de se fazer, o que demandava horas no salão e muito inve$timento por parte das desperate housewives que queriam adotar o look -, o visual proposto por ele era relativamente mais simples: algo que a mulher poderia cuidar e manter sozinha em casa, sem a ajuda de um profissional. Nada soa mais atual não é mesmo?

A estética proposta por Sassoon logo caiu nas graças do mundo fashion, tendo seu trabalho divulgado em vitrines como a Vogue americana, então comandada pela lendária Diana Vreeland (em breve post sobre ela aqui no NCCL). Mary Quant, Twiggy, Grace Coddington (que começou a carreira como modelo dele) e Mia Farrow foram alguns dos fashion icons que adotaram o visual proposto por ele. Essa última  teve o seu look para o filme de terror O bebê de Rosemary (1967)  produzido por ele, o que só fez aumentar a já mundial fama do cabeleireiro. Nas décadas seguintes,  as grandes estrelas de Hollywood e boa parte do jet set internacional confiava a ele as suas madeixas.

Condecorado em 2009 com a medalha de Comandante do Império Britânico pela rainha Elizabeth II por sua contribuição à indústria cosmética do seu país natal (Sassoon também foi pioneiro no lançamento de produtos licenciados), ele disse certa vez que o seu trabalho consistia em “modelar o cabelo, para usá-lo como uma espécie de tecido e tirar tudo que era supérfluo”, em uma entrevista concedida ao jornal Los Angeles Times em 1993. Em 2010, um documentário (cujo trailer vocês podem conferir abaixo) resgatou um pouco da sua história:

mai
16
2012

Continuando com a nossa retrospectiva dos vestidos mais bonitos do cinema, vamos relembrar mais cinco modelos eternizados nas telonas. E para quem gosta do casamento entre a moda e a sétima arte, recomendo esse post ótimo do Pimenta no teu… é refresco, que relembra alguns dos colares mais lindos usados em cena pelas musas de Hollywood.

Recuando algumas décadas, não posso deixar de citar a  diva Bette Davis e o vestido preto usado por ela em Pérfida (1941) – filme cujo figurino eu já comentei aqui. Com a história se passa no começo do século XX, os looks usados pela atriz seguem os estilos predominantes durante o fim da belle époque. E dentre os looks usados por ela em cena, o modelo preto com brilho e transparências se destaca.

Avançando algumas décadas, chegamos a 1990 e ao longo vermelho usado por Julia Roberts em Uma linda mulher. Elaborado pelo figurinista Marilyn Vance – que também bolou os looks de filmes como Os intocáveis e A garota de rosa shocking –  nem preciso dizer que essa é a roupa mais bonita usada em cena pela atriz não é?

Outro modelo inesquecível de outra (ótima) comédia romântica foi o vestido brilhante usado por Drew Barrymore em Para sempre Cinderela (1998). A história se passa na França do século XVI e assim como o enredo do filme, as roupas usadas pelos personagens também parecem saídas dos contos de fadas, como o vestido acima, desenhado pela figurinista Jane Law (que colaborou na indumentária de filmes como Frankstein, O outro lado da nobreza e A dama de ferro).

Detalhe fashion:  Os sapatos de cristal  usados pela atriz foram feitos  por ninguém menos que o  designer italiano Salvatore Ferragamo.

Já deu para perceber a minha fascinação por modelos vermelhos não é? Também pudera: Além de clássica (portanto, ela está sempre em alta) a cor é linda e está ligada a paixão e a emotividade. Outro vestido vermelho inesquecível – que foi parar até na capa da Vogue – foi o usado por Nicole Kidman no musical Moulin Rouge – cujo figurino eu já comentei aqui.

Elaborado pela figurinista Catherine Martin (mulher do diretor do filme) a peça foi usada em uma das cenas mais marcantes do longa, o que contribuiu para que muita gente não esquecesse tão cedo do vestido. Vale lembrar que o filme ganhou o Oscar de melhor figurino em 2002.

(Montagem acima: Blog The fashion goldlist)

E fechando a lista, temos um belo modelo verde, cor que eu também adoro e que eu já recomendei aqui neste post para vocês. O modelo usado por Keira Knightley em Desejo e reparação (2007) causou tanto frisson entre os fashionistas que apareceu em várias edições ao redor do mundo de revistas como a Vogue e a Elle.

Elaborado pela inglesa Jacqueline Durran – que também fez os looks de longas como Orgulho e preconceito e O segredo de Vera Drake – o vestido remete ao glamour da velha Hollywood – o filme se passa na Inglaterra dos anos 1930.

mai
16
2012

Já pensou ir para Europa com tudo pago – em um avião fretado, com direito a uma festinha privée em pleno ar -, curtir uma hospedagem cinco estrelas e ainda badalar em um dos maiores festivais de música do mundo? Pois alguns brasileiros  vão poder desfrutar dessa experiência única!

Explico melhor: Trata-se do do Rock in Rio On Air, concurso cultural elaborado pela CVC no Facebook que vai levar três sortudos e seus acompanhantes para uma temporada inesquecível na capital da Espanha:

Para  saber todos os detalhes e participar é só clicar aqui.

*Post publicitário

mai
15
2012

Como vocês já sabem, o NCCL estará na próxima edição do SPFW, que vai rolar no mês que vem.  E para saciar um pouco a nossa ansiedade, compartilho aqui as informações que recbi agora pouco da assessoria de imprensa do evento. Em sua 33ª edição, o SPFW reforça seu compromisso com o processo criativo e destaca a importância de movimentos capazes de transformar realidades por meio de histórias que contam e reforçam a crença no poder da transformação e da sustentabilidade.

De acordo com a sua assessoria de imprensa, a principal semana de moda do país vai fomentar o debate sobre a sustentabilidade do ponto de vista econômico, social e cultural. Assim, o evento vai focar na criatividade e inovação como instrumentos capazes de abrir espaço para a expressão individual e coletiva, articulando moda, arte e design no sentido de resgatar manifestações cotidianas e vínculos perdidos.

Entre as novidades desta edição do evento destacam-se o retorno do mineiro Ronaldo Fraga – que entrevistei aqui para o NCCL -, e das grifes Paula Raia e Forum, além das estreias de Vitorino Campos e Têca por Helô Rocha. Abaixo, o line up completo.

Já para saber as informações completas sobre a edição de verão do Fashion Rio, clique aqui.

mai
15
2012

Como bom noveleiro que sou, sempre que posso assisto alguma novela, pois como já mostrei para vocês nesta matéria, os folhetins de TV são uma importante vitrine para a divulgação de tendências quando o assunto é moda e beleza. Quem me acompanha pelo twitter -@nacamacomleon, sigam-me os bons, e os maus também - já me ouviu reclamar em algumas oportunidades do cabelo de algumas atrizes nos últimos folhetins da Globo. Tipo, alguém me explica o que foi aquele picumã da Julia Lemmertz em Fina Estampa ou alguns looks de O Astro?

No entanto, os folhetins globais do horário nobre recuperaram a sua posição como irradiadores de tendências capilares a prova de erros. Prova disso é o visual elaborado para algumas personagens de Avenida Brasil. Camila Morgado, Débora Blcoh e Nathalia Dill aparecem com o cabelo desta temporada: Em tons de castanho, longo, liso e ondulado. Outra aposta é o louro de aparência natural adotado pela vilã interpretada pela Adriana Esteves e o visual  boyish de Debora Falabella (impossível não lembrar da Michelle Williams e da Mia Farrow).

Visuais para as meninas adotarem para este inverno!

mai
15
2012

Se a suavidade e a delicadeza da primavera foram as inspirações para a linha de esmaltes da Chanel que eu mostrei aqui, a nova coleção de beauté da masion tem outras referências. Para o verão, a grife traz a Summertime de Chanel, coleção que aposta nos tons terrosos e no coral como carro chefe da cartela de cores.

O trio para as unhas é formado pelas novas cores Island (um bege perolado), Delight (bege escuro e com brilho) e Holiday (um coral quase laranja). Os demais produtos da coleção – batons, sombras e pós – seguem a mesma linha de leveza  das coleções de beauté apresentadas para o próximo verão europeu. Os produtos  já estão disponíveis nas lojas da Chanel na Europa e nos EUA, bem como através do site oficial da grife francesa. Abaixo, uma mostra da coleção:

mai
14
2012

Se em outro post falei do roxo, a cor da vez para adotar nos looks de inverno é o rosa, principalmente a variação mais chamativa da cor, o rosa choque. Além do filme pop estrelado pela Molly Ringwald em 1986 (Pretty in Pink), esse tom da cor também está presente no vocabulário fashion graças a Elsa Schiaparelli, como eu já contei para vocês aqui. A estilista italiana, que atualmente é homenageada por uma exposição em Nova York nos deixou como um dos seus legados, o uso dessa cor.

Símbolo máximo da feminilidade e associada ao romantismo - na Inglaterra de Elizabeth I, o privilégio de usar essa cor era reservada apenas as damas mais nobres da nobreza - o rosa também é uma opção para quem quer fugir um pouco da cartela de cores típica do inverno. E ela pode ser usada de várias formas, em looks dos mais diferentes estilos.

Desde os looks com color blocking, até aqueles onde uma peça da cor – que pode ser roupa ou acessório – é usada junto com outras de tons neutros, como branco, preto, cinza e nude. As produções onde a cor é mixada com as candy colors e aquelas onde ocorre mistura entre estampas e texturas também estão em alta. Abaixo, algumas referências:

Para as meninas, o rosa em todas as suas variações é sempre uma boa opção!

mai
14
2012

Como maio é considerado aqui no Brasil tradicionalmente como o mês das noivas, resolvi relembrar aqui no NCCL algumas das noivas (e seus vestidos) inesquecíveis. Noivas essas que se celebrizaram por essa escolha, e são lembradas até hoje pelo look que usaram no seu casamento, mesmo muitos anos depois da cerimônia. As escolhas delas também servem fonte de referência para outras noivas, que assim como elas, também desejam estar lindas nessa ocasião tão importante. A primeira parte do post vocês conferem a seguir.

Grace Kelly

Grace Kelly, a Cinderella de Hollywood, usou aquele que é considerado o vestido de noiva mais elegante de todos os tempos, que até hoje também é o mais copiado por mulheres do mundo inteiro. O vestido de noiva por ela foi elaborado por Helen Rose, umas das mais famosas figurinistas de cinema, de quem eu já falei aqui.  Além de fazer figurinos de filmes hollywoodianos – alguns dos quais filmes em que a própria Grace atuou – ela também era estilista, tendo feito roupas para as estrela fora da tela, como o vestido de casamento de Elizabeth Taylor com Conrad Hilton (do qual vamos falar no próximo post sobre esse assunto).

No entanto, a sua criação mais famosa é mesmo o vestido da princesa de Mônaco. O modelo que a Grace Kelly usou era feito de tafetá de seda e tule e decorado com rosas de renda Valenciennes. O véu de noiva era coberto de apliques de renda em forma de pombinhos e milhares de sementes, todas elas feitas em pérolas. Um luxo não é?

Jackeline Kennedy

Um dos maiores ícones de moda do seu tempo – lembra que já falei dela aqui, no post sobre moda e poder? – , a ex-primeira dama dos EUA, Jacqueline Kennedy, também ditou moda no quesito casamento. Quando se casou com John F. Kennedy em setembro de 1953, ela usou um dos mais falados vestidos de noiva até aos dias de hoje.

O vestido foi criado pela designer Ann Lowe, e era feito em renda Battenberg. Com uma ampla saia rodada, o modelo era alinhado com a moda da época (influenciada pelo New look que Dior havia proposto em 1947) e está exposto atualmente na biblioteca Kennedy, em Boston.

Lady Di

Se o vestido de Grace Kelly se tornou famoso por seguir uma linha romântica e optar por um conceito de luxo mais simples, o de outra princesa se tornou célebre justamente pelo contrário. No seu casamento com o Príncipe de Gales, Diana Frances Spencer, usou um dos mais emblemáticos (e memoráveis) vestidos de noiva. O modelo dela foi feito em tafetá de seda, decorado com renda bordada à mão, lantejoulas e cerca de 10.000 pérolas. Foi criado por Elizabeth e David Emanuel, e tinha uma cauda imponente, com mais de 7,5 m. Quem pode, pode, meu bem!

Considerado um verdadeiro vestido de princesa, se tornou célebre pela sua pompa e extravagância, em uma época em que era isso mesmo que estava em moda. Hoje o vestido dela não está tão em alta, mas ainda sim, as inúmeras adaptações mais simples do vestido de Lady Di são uma prova do fascínio que o modelo ainda desperta hoje em muitas noivas.

Gwen Stefani


Já Gwen Stafeni, conhecida por seu estilo sexy e irreverente – dentro e fora dos palcos – foi uma das noivas que fugiu ao tradicional na hora do casamento e se tornou ícone para as noivas fashionistas, que querem inovar na hora do casório.

Em vez de optar pelo modelo totalmente branco, como a maioria das noivas faz, ela encomendou ao estilista inglês John Galliano (então responsável pela masion Dior), um vestido nada usual. O modelo tinha decote irregular e a extremidade da saia tingida de um degradê rosa. Já o véu era mais tradicional, sendo longo e simples e também cobria o rosto da cantora.

Em breve mostro para vocês mais noivas inspiradoras!

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